O diretor boliviano Martín Boulocq apresenta o seu segundo longa

O realizador dá instruções para Daniela Cajías durante as filmagens l Foto: Facebook

 

O realizador boliviano Martín Boulocq, que há cinco anos apresentou seu primeiro filme Lo Más Bonito y Mis Mejores Años, retorna com seu novo longa, Los Viejos (Os Velhos), lançado em circuito nacional e no qual narra a história do filho de um casal desaparecido na época da ditadura, que volta para a casa de onde fue expulso há anos, encontrando novamente o amor de sua adolescência e ao seu próprio pai adotivo, que está muito doente.

No filme, Tonho, protagonista da história e interpretado por Roberto Guilhon, retorna a sua cidadezinha, localizada em uma zona de vinhedos, depois de muito tempo vivendo fora, pois havia sido expulso por seu tio e pai adotivo, Mario (Julio Iglesias), por ter se apaixonado pela sua prima irmã Ana (Andrea Camponovo). Ela hoje é mãe solteira de um menino de nove anos que ele verá pela primeira vez.

Filmado em Tarija, no sul da Bolívia, o longa está baseado no conto “Carretera” (Estrada), do escritor cochabambino Rodrigo Hasbún, que, junto a Boulocq, é o responsável pelo roteiro. O cineasta, que em 2009 assinou também um dos curtas de Rojo, Amarillo, Verde (Vermelho, Amarelo, Verde), disse a Los Tiempos que a força da narrativa está no interior dos personagens. “Há muita contenção de emoções, muita carga emocional não resolvida”, revelou.

Apesar da referência feita ao tema do regime militar através do desaparecimento dos pais de Tonho, Boulocq esclareceu a El Diario que o longa-metragem não segue por essa direção. “O filme não fala das ditaduras diretamente, mas estas são importantes para entender os personagens e suas histórias. As ditaduras formam parte da psicologia dos personagens e suas experiências”, afirmou.

Assim, o filme pode ser resumido como um drama introspectivo em que a história está centrada na ruptura familiar, na repressão e no doloroso mas necessário reencontro com o passado. Produzido por Alba Balderrama (CQ Films) e co-produzido por Juan Carlos Valdivia (Cine Nómada), o longa-metragem conta também com as atuações de Charo Peñarrieta (Nana), Fabrizzio Camponovo (Fabrizzio), Jorge Ruiz (Telésforo) e Diego Pino (Gato).

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