
Ex-ator da Globo e da indústria pornô apresenta stand up polêmico l Foto: Reprodução
Na última segunda-feira, o ator e diretor Alexandre Frota estreou no Bar Cardozo, em São Paulo, seu espetáculo de stand up A Identidade Frota, no qual repassa vários episódios de sua vida e carreira, envolvendo personagens como Boni, Daniel Filho, Jô Soares, Cláudia Raia, Xuxa, Wolf Maya, Cazuza, Romário e Renato Gaúcho, entre outros.
Em 90 minutos de espetáculo, cuja curtíssima temporada conclui esta noite, com todos os ingressos esgotados, Frota conta sobre como conquistou a atriz Cláudia Raia, então namorada do comediante e entrevistador Jô Soares, de quando um diretor da Globo quis fazer sexo com ele e de suas experiências com drogas ao lado de astros da música como Raul Seixas e Cazuza. “São histórias reais. Não vou inventar nada”, garante.
Outros relatos presentes no ‘cardápio’ sugerido pelo ator são “Garota de programa? Quase casei com uma”, “Quase virei pastor”, “65 dias com a ex do Romário” e “Eu, Renato Gaúcho e as festinhas”. Frota também narra o dia em que viu Xuxa nua, tomando banho, quando a apresentadora ainda era uma modelo em início de carreira, e revela que a loira não ficou nem um pouco inibida com sua presença.
Sempre polêmico, o ator elogia figuras como Boni (ex-homem forte da Globo) e o bispo Edir Macedo (dono da Record e fundador da controvertida Igreja Universal do Reino de Deus), enquanto não poupa críticas a outras, como o boleiro Adriano. “Gente como eu, que se envolve com drogas e álcool, é muito criticada. Se é jogador de futebol, o pessoal chama de ‘imperador’”, ironiza, em clara alusão ao ex-atleta do Flamengo, São Paulo e seleção brasileira.
Uma montanha russa:
De galã de novelas a ator pornô
A vida e a carreira de Alexandre Frota de Andrade (Rio de Janeiro, 14 de outubro de 1965) sempre foram uma montanha russa, como ele próprio define. Descoberto em um concurso de jovens talentos para a indústria de vídeos da área amadora, havia começado sua trajetória artística interpretando um pato em uma peça infantil, e com menos de 20 anos estreou na Globo, onde se tornou galã de novelas.
Casado durante três anos com Cláudia Raia, atuou ao seu lado nas novelas “Roque Santeiro” (1985) e “Sassaricando” (1987), além de ter feito outras produções como a minissérie “Boca do Lixo” (1990), contracenando com a então estreante Sílvia Pfeifer. Seu currículo também contém uma participação na série “Mandrake” (2006), realizada pela HBO no Brasil, e papéis em filmes como O Escorpião Escarlate (1988) e Matou A Família e Foi Ao Cinema (1990).
Apesar do sucesso na Globo, seu temperamento explosivo e envolvimento com drogas prejudicaram sua carreira, que entrou em declínio. “Se eu tivesse uma equipe em volta de mim, uma preparação, talvez eu tivesse me saído melhor. Se você me perguntar se eu me arrependo de não ter segurado a onda, sim. Eu poderia estar casado com a Cláudia Raia, com a minha família, no mesmo patamar que outros atores, claro que me arrependo. Se me avisassem que andar na contramão era tão duro assim, não teria ido”, reflete.
Depois de ter posado nu algumas vezes para a revista G Magazine, dirigida ao público homossexual (ao total foram quatro ensaios), transformou-se em 2004 no primeiro ator famoso do Brasil a assumidamente ingressar no mercado pornô. Conta-se que recebeu R$ 500 mil para protagonizar cinco longas, embora sua filmografia no ramo conste de 19 títulos, como 11 Mulheres e Muito Pó, Invadindo a Retaguarda e 00 Frota: O Homem da Pistola de Ouro.
Entretanto, foi com Garoto de Programa que o ator causou uma de suas maiores polêmicas, ao aceitar contracenar com a travesti Bianca Soares. Frota admite que duvidou em aceitar o papel, mas se decidiu ao perceber que não tinha nenhum outro convite de trabalho. “Falei para o diretor: ‘Me dá R$ 150 mil e eu faço’. Fiz tipo um garoto de programa. Ele disse que não acreditava que eu ia fazer. Pedi para levar o dinheiro para o motel. Ele chegou lá com a grana. Eu falei: ‘Beleza, faço’. A Bianca ficou mais nervosa do que eu. Tem muito homem que é louco por uma travesti, mas fica dentro do armário. Eu não. Eu fui lá, fiz o filme, ganhei o dinheiro e ainda mostrei como se deve pegar uma travesti”, afirma.
Atualmente longe do pornô, convertido a religião evangélica, diretor de projetos especiais do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e casado com a dançarina Fabiana Rodrigues, Frota chorou na cerimônia nupcial realizada no último dia 15, revelando uma faceta por muitos desconhecida: emociona-se com facilidade. Isso acontece com programas de TV como o de Luciano Huck ou ao se lembrar do pai, já falecido, ou do enteado Enzo, de quem inclusive troca as fraldas em plena madrugada. “Não escondo nada, choro. Por isso as pessoas ou me amam, ou me odeiam”, conclui.
Com informações da Wikipédia, Folha e Globo.